Nem tudo é líquido e certo. Ainda bem.

Por ser arquiteto de formação (embora trabalhe como escritor, palestrante, professor e consultor de marketing), tenho uma visão crítica mais apurada quando o negócio é construção. O que me faz recordar um “causo”.

Eu tinha terminado de construir uma casa, ou pelo menos pensava ter terminado. Minha filha acabara de nascer e decidimos nos mudar para lá o mais rápido possível, deixando os detalhes para acertar depois. Já ouviu aquela frase, “só falta o acabamento”? Pois é…

A primeira noite seria passada dormindo em nosso pesadíssimo e exclusivo colchão de algodão, feito sob medida, ainda em contato direto com o chão do quarto, já que não houve tempo para montar a cama.

Madrugada fria de agosto. Minha filha dormia tranqüila no carrinho, portanto não poderíamos culpá-la de ter feito tanto xixi na cama – tanto ao ponto de encharcar o colchão e os lençóis que, geladíssimos, nos acordavam.

Durante a noite uma torneira no banheiro começara a vazar, e como a primeira descoberta que geralmente se faz numa casa nova é que os ralos repelem a água – às vezes até desafiando a gravidade – você já pode imaginar o que aconteceu.

A água que vazou durante horas encontrou seu caminho para o quarto, onde geralmente não são instalados ralos que poderiam mantê-la longe dali. Se não fosse nosso fiel e vigilante colchão recheado de algodão, o quarto teria se transformado numa verdadeira piscina. Mas o algodão absorveu tudinho. Um verdadeiro mata-borrão gigante.

Como o carrinho de minha filha, onde ela dormia tranqüila, era pequeno demais para três, o jeito foi terminarmos a noite cochilando em cadeiras, até que os móveis acabassem de chegar e fossem montados.

Lembrando desse incidente que aconteceu em outro Agosto há exatos 23 anos, só posso aplaudir as pessoas que montaram a casa onde estou morando nesses cinco dias, dentro do 12º Salão de Novos Negócios promovido pela Lemos Britto. Em questão de horas – e não meses, como numa construção comum – elas criaram 26 ambientes somando 400 m2 de puro conforto e perfeitamente habitáveis.

Para você ter uma idéia do que foi feito aqui em 200 horas, veja os números de outro edifício, muito mais complexo, que é o Prédio Inteligente: 3.500 m2 de área, consumindo 80 toneladas de aço, 225 toneladas de cimento, três geradores com 600 kva de energia, 1.200 m de tubulações hidráulicas e hidrelétricas, 300 m2 de jardinagem, 3.500 m2 de piso de cerâmica, emborrachado e fórmica, 800 m de vidro, 8.000 m2 de cabeamento, tudo coberto com 3.600 m2 de “dry wall” e tinta. Tudo isso chegou em 60 carretas e envolveu dezenas de pessoas trabalhando a toque de caixa.

A casa onde estou hospedado não se trata de cenário ou estande. Tirando o teto transparente (antes que você pergunte, nos banheiros o teto é fechado), o conforto é o mesmo que você encontra num hotel dos bons. E a decoração é até melhor. Você construiria banheiros revestidos em mármore em poucas horas? Nem eu. Aqui construíram.

Assim que entrei aqui, a imagem que mais me sensibilizou foi a de uma das decoradoras. Vestida num macacão verde vivo multicor, estava coberta com manchas de tinta, gesso e poeiras diversas da cabeça aos tênis dos pés. Seus olhos vítreos, emoldurados por olheiras, fixavam o vazio. A princípio achei que fosse uma escultura, parte da decoração. Sabe como é, com tanto arquiteto-cabeça pondo o dedo aqui, sempre somos surpreendidos por alguma inovação. Mas aí ela se moveu.

Prostrada ali, ela era um verdadeiro ícone do esgotamento – a imagem da atleta que cai prostrada após bater um recorde. Percebi que não estava entrando numa casa comum. O ponteiro de meu detector de valor bateu na nota máxima.

Como em uma construção nova nem tudo é líquido e certo, é claro que alguns ajustes precisaram ser feitos nas primeiras horas de nossa chegada, coisas como configuração da rede, problemas em algum micro ou software – todos nós sabemos que mesmo o “plug and play” na hora “H” resolve virar “plug and pray” ou muita gente querendo acessar simultaneamente as webcams (as câmeras que nos observam e transmitem pela Internet).

Ou na colagem de algum topete mais rebelde de carpete, ou nos acertos da água quente – é, gente, tem aquecedor central com purificação da água – ou do ar condicionado – é, gente, também tem ar, máquinas de café, bebidas e guloseimas, fechaduras eletrônicas, interruptores inteligentes, etc., etc. e principalmente etc.

Mas nenhum dos pequenos percalços e ajustes teve grande impacto em meu conforto. Tenho dormido como uma criança. E acordo perfeitamente seco.

Agradecimentos: Esta não é uma propaganda (não ganho para fazer isto), mas um agradecimento às empresas e pessoas que criaram a suíte onde estou hospedado e fizeram o possível e o impossível para que eu tivesse todo o conforto. Infelizmente não tenho o endereço web dessas empresas, ou teria incluído um link. É claro que aquelas que ainda não têm um website sempre podem descobrir que sou especialista em comunicação e marketing na Internet (eh! eh!):

. Projeto / Decoração – Paula Rolim, Viviana Monari e Adriana Neves
. Colocação de piso e luminárias – Alvacom Const. e Com.
. Cortinas, colcha e tapeçarias – Arte Markante Interiores
. Acessórios de banheiro e ferragens – Creare
. Arandelas – Decor Light Iluminação
. Mesa de trabalho – Espaço Exclusivo
. Metais Sanitários – Glorimar Ind. Metalúrgica
. Móveis e objetos asiáticos – Indoásia Móveis
. Spots – Interlight Sistemas de Iluminação
. Espelho – Jurandir Comércio de Vidros
. Piso laminado – Lamett
. Colchão – Le Martan
. Revestimento, cuba e bancada banheiro – Melgram Mármores e Granitos
. Monitoramento domiciliarHS AlôHelp

Tudo está excelente, mas a menção honrosa vai para os móveis que me suportaram por mais tempo: uma cama lindíssima, um colchão onde durmo como pedra e uma poltrona (me atrevo a chamá-la de cadeira) de trabalho aprovada por minhas costas.