Seu nome pessoal, da empresa ou produto é um auxílio ou empecilho para a fixação de sua marca? Alguém escreveu indagando da pergunta que aparece na última linha de minha bio aí na coluna da direita. Quando aquilo aconteceu, o rapaz que escreveu pensou que “Persona” fosse um tipo de nome artístico, mas não é. É original. Mas nem sempre é assim.
Às vezes acontece, e é até necessário, que pessoas adotem um nome mais fácil de marcar para virar marca. Será que Senor Abranavel faria o mesmo sucesso de Sílvio Santos? Acho que não. E a Kiwi Airlines, teria escapado da falência se Kiwi não fosse o nome de um pássaro, símbolo da Nova Zelândia, que faz o ninho num buraco no chão, bota apenas um ovo por ano e nunca foi capaz de voar? Julgue você. Mas que tem gente que troca de nome, e pra melhor, isso tem. Quer ver?
Allen Konigsberg = Woody Allen
Archibald Leech = Cary Grant
Tom Mapother = Tom Cruise
Bernie Shwartz = Tony Curtis
Margaret Hyra = Meg Ryan
Frances Gumm = Judy Garland
Issur Danielovitch = Kirk Douglas
Maurice Micklewhite = Michael Caine
Há casos de executivos que também mudam de nome para não atrapalhar a marca:
Ralph Lifshitz = Ralph Lauren, da Polo
Donald Drumpf = Donald Trump
Faith Plotkin = Faith Popcorn (Marketing 1-to-1)
Estes exemplos foram tirados do excelente livro “A queda da propaganda – da mídia paga à mídia espontânea” de Al Ries. Ali também encontrei uma pérola, algo MUITO COMUM em empresas onde algum membro da equipe começa a se sobressair, as quais costumam rezar pela seguinte cartilha:
“Não queremos dar a uma única pessoa o crédito por esse produto maravilhoso. É um trabalho de equipe”.
Al Ries rebate: “Produto não gera publicidade. Pessoas, sim. A mídia não pode entrevistar um automóvel, uma fatia de pão ou uma lata de cerveja. Só pode entrevistar uma pessoa em carne e osso”. (por “publicidade” ele se refere à divulgação gratuita de um nome ou marca, geralmente graças ao trabalho de assessoria de imprensa e relações públicas, ambas profissões em alta).
E Al Ries vai além, dando exemplos que exploram o nome do fundador ou de um CEO para vantagem da marca:
Bill Gates – Microsoft
Larry Ellison – Oracle
Scott Mcnealy – Sun
Lou Gerstner – IBM
Steve Jobs – Apple
Andy Grove – Intel
Michael Dell – Dell
Colonel Sanders – Kentuky Fried Chicken
Richard Branson – Virgin Airways
Ted Turner – CNN
Howard Schultz – Starbucks
Anita Roddick – The Body Shop
Portanto, quando algum colaborador de sua empresa começar a ganhar destaque na mídia, seja ele o CEO ou um nerd de quinze anos, explore isso a favor de sua marca. O contrário é criar o ostracismo que muitas marcas criam quando pensam que o mercado se comove com discursos enlatados de propaganda.
Voltando à questão do meu nome, o de batismo completo é Mário José Buzolin Persona, mas uso Mario Persona (sem acento) igual ao meu pai, já falecido, que acho mais breve e sonoro, embora seja por parte de mãe que tenha herdado um nome mais atuante no ramo empresarial (Calçados Buzolin, fundada por meu avô Albino Buzolin).
Usar o nome de meu pai tem um sentido sentimental também. Procuro por me espelhar nele. Mesmo sem ser um empresário – trabalhou como bancário toda a sua carreira – foi um dos homens mais criativos, habilidosos e inteligentes que já conheci, com uma cultura e percepção muito grandes. Além de ter sido um grande contador de histórias.