O e-learning tem sido alardeado como a resposta do futuro para o ensino. Será que devo entender que trata-se do e-learning do futuro também? Tenho feito alguns cursos de e-learning do presente via Internet para experimentar e não posso dizer que esteja satisfeito.
Alguns eu paguei, outros foram grátis. Cheguei a ficar meses em um pós-graduação que não deu em nada, muito por culpa de minha falta de tempo e boa parte pelo curso sua interface não terem criado em mim qualquer motivação. Daí minha pergunta, não como aluno, mas como empreendedor: e-Learning assim vende? Até quando?
Até aqui encontrei bons e ruins, mas nenhum que seria capaz de indicar de boca cheia. Eu mesmo desenvolvi um de atendimento que considero excelente pelo fato de ser distribuídos em CDs, ou seja, a pessoa não perde tempo com conexões lentas, fica com o curso, faz quando quer e tem o diferencial de uma radio-novela engraçada que entretém enquanto ensina.
Para alguém como eu que adora ler vários livros ao mesmo tempo, mas só do que me interessa no momento, o e-learning via Internet ainda perde para o velho curso a distância via correio ou via banca de revistas, impresso ou em CD. Na Internet ele consome mais tempo do que a leitura de um livro ou apostila e transfere menos conhecimento.
Boa parte deles tem data de vencimento, ou seja, acabou seu prazo, acabou seu acesso ao conhecimento. Diferente do livro ou da informação que você encontra aos montes na própria Internet. Ainda não vi um que oferecesse a prometida interação multimídia com a qualidade de uma TV.
Muitos não passam de leitura on-line de resumos, seguidos de algum teste para justificar. Alguns nem precisariam ser on-line, já que não criam qualquer interação com o instrutor ou outros alunos. Funcionariam perfeitamente em um CD, para economia de quem usa acesso discado à Internet. Perdem feio também para os excelentes cursos que você acha nas TVs educativas ou programas do Discovery Channel.
Os que oferecem algum tipo de interatividade como lista de discussão, fórum, chat ou trabalhos em grupo, às vezes perdem para sistemas gratuitos de criação de comunidades de estudo e trabalho, como os oferecidos pelo Yahoogrupos ou Webogger, e geralmente são ministrados por quem conhece a matéria mas não o meio Internet.
O pretexto de recursos multimídia nem sempre justifica. É comum ter que esperar por telas demoradas para carregar, apenas para descobrir que não passa de uma animação sem função ou sons e musiquinhas para acompanhar seus cliques. Nada de revolucionário, se comparados com aqueles CDs interativos para crianças que vinham com os primeiros kits multimídia.
Participei de um cheio de sons, cores e animações. Perdi meu tempo e não aprendi mais do que aprenderia com um livrete de frases feitas. Outro que fiz, ministrado por um guru de sua área, custa dez vezes o preço do livro do mesmo guru, fornecendo um décimo da informação do livro. Vencido o prazo, o guru desaparece levando seu conhecimento.
Até agora as melhores iniciativas que vi são de cursos oferecidos como um “plus” de outro produto. A Barnes & Noble tem uma estratégia de venda de livros acompanhada de cursos e vice-versa. É a B&N University, onde alguns cursos são grátis. Parece seguir o modelo que até agora funcionou na Internet (o mesmo que utilizo) de dar informação de graça para vender outros produtos e serviços. Faço isso com minhas crônicas, que divulgam minhas palestras, treinamentos, consultoria e livros.
Alguns consultores americanos estão partindo para o e-coaching, algo menos enlatado e mais pessoal, que é mais caro mas inclui um acompanhamento pessoal, contato telefônico além do usual on-line via Web. Será que este modelo seria viável? Enquanto isso, será que o atual modelo está vendendo e até quando? Se você já pagou para fazer algum curso on-line, pagaria para fazer outro? Ou o que acha que deveria mudar?
Por que estou questionando tanto assim? Porque ultimamente tenho pensado numa forma de oferecer conhecimento via e-learning, mas me horroriza pensar em alguém pagando para aprender algo com o Mario Persona em um curso assim, e acabar decepcionado pelas limitações que o modelo atual ainda apresenta. Não me interprete mal: eu acredito no e-learning, mas não no modelo telinhas 1-2-3 + musiquinha emprestado dos velhos CDs multimídia. Talvez você consiga me ajudar respondendo minhas indagações no link de comentários logo abaixo.